Surpresa

julho 14, 2007 às 11:28 am | Publicado em Chefe, Conto, Domenik | 2 Comentários

Hei de ter idéias hoje, prometeu a si mesmo quando acordou. Não podia passar outra reunião da empresa parado na cadeira. Já no banheiro, escovando os dentes, teve várias idéias, todas acabaram descartadas. No caminho da cozinha teve um ótimo pensamento, mas ao trombar com a cadeira este se dissipou para dar lugar à irritação.

Durante o café da manhã tinha os pensamentos a mil. Entre um gole de chá e outro vislumbrava uma nova possibilidade, mas elas nunca lhe pareciam boas o bastante. “Preciso fazer um bom retorno” pensou ele, “não posso usar idéias como essas, preciso Da Idéia”. E assim foi durante todo o café. Quando deu por si já estava atrasado.

No caminho para o trabalho prosseguia distraído, se não fossem uns relances de percepção provavelmente teria batido o carro. Mal estacionou o carro direito e já corria apressado: não podia perder a “palestra surpresa da empresa”. Rima bastante infeliz, pensou consigo no caminho.

Ao lembrar da rima teve um súbito relance e rabiscou alguma coisa apressadamente no papel. Parecia perfeito, era justamente daquilo que ele precisava. Sua manhã enfim parecia começar a dar certo.

Ao dar de cara com a porta da sala, onde estava sendo efetuada a palestra, parou. Seria educado entrar no meio de uma possível e importante explanação? pensava. Resolveu por colar o ouvido na porta e esperar por uma pausa no discurso do palestrante.

Ouvia mal, muitas pessoas pareciam falar ao mesmo tempo. Achou estranho, não parecia mais uma daquelas reuniões chatas da empresa. Ao ouvir “será que ele não vem? Estamos esperando há algum tempo…” decidiu entrar. Aquelas palavras significava que o palestrante havia se atrasado e que, portanto, ele não perdera nada além de conversas monótonas com seus colegas de trabalho.

Quando entrou todos viraram-se para ele surpresos. Lá no fundo alguém enfim gritou “Surpresa!”.

Era seu chefe, e lá vinha ele, caminhando até a frente da sala. Fez sinal para que todos ficassem em silêncio. E então começou o discurso. Disse que o atraso foi proposital para que todos os funcionários, inclusive os que costumam se atrasar pudessem ouvi-lo. Todos achavam aquela colocação muito estranha. Mesmo em meio aos sussuros dos funcionários o chefe começou.

Fez um belo discurso. Contou toda a história da empresa e do seu sucesso até hoje. Quando parecia ter terminado de falar, já entre aplausos o chefe pede silêncio novamente. “Obrigado, mas ainda não acabei. Apesar de toda nossa história aparentemente não fomos bons o bastante. E para melhorar vamos ter de fazer algumas demissões. Por isso feliz dia da demissão total e boa sorte a todos. Vocês tem até o almoço para recolher suas coisas”.

(…)

Chegou em casa confuso. Sentia um misto de conforto e frustração. Ligou o computador. Escreveu o que sobre seu dia e publicou. Só recebeu spams como resposta.

2 Comentários »

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  1. Hahahahahahahahahahaha! Excelente! Seu miserável! Como você escreve esse texto pra cá, mas não atualiza o Macaco!? Cara-de-pau! Hunf!

  2. Eu também fiquei confuso.


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