Oportunismo na mesa de ofertas

julho 21, 2007 às 5:54 pm | Publicado em Cinema, Domenik, Tosco | 7 Comentários

Eu sou um cinéfilo, ou pelo menos assim me considero. Por isso, sempre que posso dou uma olhada nas lojas de DVDs. E já achei muita coisa legal nas estantes de promoção. Mas certas coisas já me deram muita vergonha alheia. E é sobre elas que eu quero falar.

Usar a história de um filme como plataforma para outro é até aceitável. Mas, em certos casos, o que ocorre é puro plágio. A questão é que o oportunismo move as engrenagens do mundo. E o mercado alternativo é bastante promissor.

Como a Internet anda estranha, eu não vou indicar o que acho quanto aos filmes que descrevo abaixo, deixo que o leitor tire suas próprias conclusões. Mas antes de tudo, um recado. Os filmes que analisarei são todos infantis. Mas pelos céus, filme infantil não é sinônimo de filme tosco! Fim da mensagem.

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Eu acho que é desnecessário dizer que é uma coincidência muito grande a Pixar ter lançado o filme Ratouille na mesma época que o DVD de Ratatoing invadiu as estantes de ofertas. E está claro que as sinopses não tem semelhanças.

Ratatouille:“Ratatouille” é uma aventura de animação digital centrada em um ambicioso ratinho francês chamado Remy, que sonha se tornar um grande chef de cozinha. Para realizar seu sonho, Remy leva sua família do interior da França para o coração de Paris. Nessa jornada, acaba chegando por mero acaso logo no restaurante do seu chef predileto, Auguste Gusteau. Quando Remy ajuda a criar a receita de uma sopa única que conquista críticas elogiosas em capas de revistas e jornais internacionais, acaba dando início a uma incrível e emocionante corrida de ratos em toda a cidade, o que permite a ele conquistar o impossível e o seu verdadeiro dom.

Ratatoing: Rio de Janeiro, cidade maravilhosa. Cenário do Pão de Açúcar, do Corcovado, de Ipanema e… do Ratatoing. O restaurante mais refinado e especial da cidade, onde o chef é nada menos que… um rato! Todos são loucos para descobrir o segredo que o chef Marcell Toing tem para preparar seus cobiçados pratos. Mas ninguém imagina o que ele apronta para conseguir seus ingredientes. Às noites de quinta-feira, ele encara uma verdadeira missão impossível com a charmosa assistente Carol e seu amigo Greg, um garçom pra lá de desastrado. Os três ratos saem em busca de ingredientes raros no restaurante dos humanos, enfrentando de ratoeiras a gatos famintos. Só que a aventura dessa turma se torna ainda mais arriscada quando um grupo de ratos invejosos e capazes de tudo se une para acabar com o sucesso da cozinha do Ratatoing.

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Dos mesmos produtores de Ratatouille temos Carros. E dos mesmos produtores de Ratatoing, Carrinhos. Precisa falar mais? E deve ser um sucesso, porque rendeu mais continuações que o filme do estúdio maior.

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Dessa vez os produtores de Transformers comeram bola. Deixaram os Gladiformers (da empresa que trouxe até você Ratatoing e Carrinhos 1, 2 e 3) chegassem nos saldões de DVD antes mesmo do lançamento do filme, que teve um orçamento milionário. Tsc, tsc, tsc.

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Voltando um pouco no tempo, quando o VHS ainda reinava absoluto, temos esse exemplo. Enquanto a Disney demorava seis meses para disponibilizar seus títulos para venda e locação algumas empresas tomavam a dianteira. E bem, esse costumava ser o resultado. Aliás, é só impressão minha ou o urso de O Livro da Selva tem olheiras bastante suspeitas?

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Outro caso da época de ouro do VHS. E a Disney cometeu o mesmo erro. Mas o que eu acho mais interessante de tudo são as falhas do roteiro de Simba – O Rei Leão. Primeiro: Simba muda de cor do primeiro para o segundo filme. E segundo: na África retratada existem tigres e ursos. Hmmm… Cadê meu geoatlas?

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Esse é provavelmente um dos casos de plágio mais notórios. E aDisney é a vilã aqui. Kimba, o Leão Branco ( Jungle Taitei no Oriente) é um anime de Osamu Tezuka que foi lançado em 1965 no Japão, sendo a primeira animação colorida do país. O Rei Leão foi lançado em 1994, nos EUA. Há diversas semelhanças entre os dois, que vão desde personagens secundários até a morte dos pais dos protagonistas (Panja e Mufasa). Fora isso, ainda correm boatos de que Simba foi concebido originalmente como um leão branco. Há também suspeitas de que alguns desenhistas de O Rei Leão tenham assistido episódios de Jungle Taitei durante a etapa de produção. Quando O Rei Leão foi lançado, os herdeiros de Osamu tentatam mover uma ação contra a Disney, de modo que o nome Osamu Tezuka fosse colocado nos créditos. Não obtiveram sucesso. A Disney se pronunciou dizendo que jamais ouvira falar de Jungle Taitei até o incidente. Não vejo motivos para as produtoras dos demais filmes que citei não usarem a mesma justificativa.

Mas uma coisa eu não perdôo nisso tudo. Fazer um filme, seja lá qual for o gênero, é um processo dispendioso e desgastante. Concluí-lo então é um feito admirável. Mas poxa, então por que não contratar uns roteiristas e fazer algo de qualidade, hã? As HQs brasileiras tem excelentes profissionais, por que não oferecer uma oportunidade a esse pessoal? E não venham dizer que pelo preço não se pode reclamar. Isso é compactuar com a empresa. Nem tentem justificar isso dizendo que essa tática engana criança, porque eu duvido.

7 Comentários »

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  1. Esse post ficou tão bom que eu nem sei o que comentar!!! Isso é muito sincero!!!!

    Beijo!

  2. Essa empresa de filmes deve ter mais advogados do que desenhistas.

  3. Eu não sabia que as pessoas realmente compravam esses genéricos.

  4. Olá, adoro cinema tb
    e a pesquisa para o post foi compensadora.
    já tinha visto esses plagios nas araras dos supermercados,
    com resiginação.
    Flw

  5. Os pais devem comprar esses filmes pras crianças, elas choram porque não é o de verdade e então o filme mofa para sempre na estante de casa.

  6. Comprei para meu filho o Gladiformers e ele NÃO disse que era uma cópia dos Transformers. Eu assisti junto com ele e até comentei que os dois tem carros que viram robôs. E ele me respondeu que a história do Gladiformers não tem nada a ver com a história dos Transformers. Ou seja, meu filho tem apenas doze anos e é mais capaz de notar diferenças que eu.
    Mas eu tive que concordar com ele quando terminei de assistir inteiro o Gladiformers. Achei meio parada a animação comparando com os Transformers do cinema mas a história é totalmente diferente mesmo. Não é uma cópia nem de longe. Os robôs não estão tentando invadir ou dominar a Terra, não aparecem jovens humanos, os personagens dos robôs também são lembram em nada os do filme americano. E é uma sequência de lutas com jeitão dos Gladiadores (adoro esse filme). Pra quem não assitiu é um tipo de um torneio e os robôs não querem lutar mas são forçados por seres mais poderosos que eles. A história é até bem interessante.
    Não entendo muito do assunto mas acho que no caso dos Gladformers eles só pegaram carona na propaganda dos Transformers, diferente do Ratatoing e Carrinhos que copiam a idéia toda descaradamente.

  7. O mais triste, é que tem bons profissionais envolvidos nesses projetos. Um dos produtores alias, é um animador relativamente conhecido ( procurem por Ale Mchado no google)… Nao sei como ele entrou nessa… Por esses e por outras que o Brasil é tao descrente la fora.


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