Tal João de Santo Cristo…

agosto 17, 2007 às 10:55 pm | Publicado em Música, Miss Ginsu | 3 Comentários

Tem músicas que marcam. Algumas vezes por servir de fundo musical para seu primeiro beijo, outras lembram o exato momento que ‘aquela pessoa’ te chamou pra dançar ou simplesmente pela letra e melodia dela. Faroeste Caboclo comigo foi assim. Lembro como se fosse hoje a primeira vez que a ouvi: estava no meu quarto, arrumando o guarda-roupa com o rádio (ainda daqueles com cassete) ligado na antiga e saudosa rádio O Dia FM – 96,3MHz. Na época, ela tocava poucas vezes por ser muito longa (mais de 9 minutos) e continha vários ‘piiiiiiii’ por conta da censura.

A música conta uma história trágica, na visão de algumas pessoas. Já eu vejo como um romance sem final feliz, mas ainda assim um romance. Vejam se não estou certa: o ‘mocinho’ que tem sua infância acabada com a morte prematura do pai – assassinado por um policial, tenta, após ir pro reformatório aos 15 anos, arrumar sua vida. Muda de cidade e começa a trabalhar honestamente. Só que de tanto ‘ralar’, dar duro e ver que não melhorava sua vida, resolve ir pelo caminho mais fácil – que nem sempre é o mais certo. Começa a traficar, e daí pra roubar e se tornar o bandido mais temido da região foi um pulo.É aí que entra a “menina falsa” Maria Lúcia. Ela arrebata o coração do ‘herói’. E nós sabemos o que acontece quando os fortes se apaixonam. Eles acabam abrindo a guarda pro inimigo entrar e fazer a festa. E foi o que Jeremias Cabra Hômi fez – ele chegou, tomou a mulher e a chefia do tráfico. O resto, todos já sabem. Os dois duelam, Jeremias mata João que, antes de morrer dá cinco tiros no bandido traidor e a ‘menina falsa’, arrependida, suicida-se.

O que torna essa música diferente das outras do Legião não são só os 159 versos que não se repetem, nem os mais de nove minutos de duração (Metal contra as Nuvens tem 13, por exemplo) e sim a história narrada por Renato Russo. Tanto que, está em fase de produção um longa de mesmo nome. Ele vai ser dirigido por René Sampaio, com base no roteiro de Paulo Lins, o mesmo que escreveu Cidade de Deus. Se será lançado ou não, só o tempo dirá. Enquanto isso, eu fico aqui dando vida e imaginando todas as cenas, como se um filme passasse pela minha cabeça.



E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez.

3 Comentários »

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  1. Nossa, eu me arrepiei com os versos que você escolheu!!! Essa música é mesmo linda. Vale cada um dos nove longos minutos que tem!!!

    Beijo!

  2. Eu SEMPRE fico com nó na garganta nesse exato trecho! É essa música e Dezesseis. O Renato começa a estrofe:

    “E os motores sairam ligados a mil
    Prá estrada da morte o maior pega que existiu
    Só deu para ouvir, foi aquela explosão
    E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão”

    e eu desabo! SEMPRE!

    No mais, há seis anos eu ouço rumores sobre filme pra Faroeste e nunca saiu. Uma pena. A história já tá pronta!

    P.s.: O peixe é a piranha da Maria Lúcia. Hunf!

  3. Eu adorava essa música quando gostava de Legião.


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